O
RESULTADO DA INCOERÊNCIA
&
o nosso rendez vous eleitoral

Vi num jornal interessante entrevista, com um cientista político, sobre o sentido das costuras políticas que se fazem em nome da campanha eleitoral e do horário "gratuito" na TV. Vem sendo chamada de "orgia", "bacanal", etc. Uma luz vermelha acendeu entre nós, que não é de aviso, mas aquela que costuma acender nas famosas casas de meretrício.
Quem
sou eu para corrigir o entrevistado, o professor da Fundação
Getúlio Vargas, Fernando Lattman-Weltman. Mas, sendo jornalista e
escritor, não resisto a um trocadilho, a um jogo de palavras. Às
vezes, é assim que afloram novas perspectivas e surge um inusitado
sentido, ou as coisas ficam mais claras para se entenderem. Ele fala
da coerência do eleitor, que busca o resultado - a coerência do
resultado. E minha modesta dissertação aqui é sobre o resultado da
incoerência.
Ultimamente, no Brasil, com o pouco de tempo que a Copa deixou para as demais notícias, assistimos ao modo como políticos se aliam e promovem suas campanhas numa reta final visando especialmente ao horário eleitoral na televisão. Ainda se acredita que o tempo de exposição nessa mídia decida sobre a captação de votos, mesmo sabendo que grande parte da população hoje pode alternar, se quiser, para a TV por assinatura, ou simplesmente desligar o aparelho, e assim escapar do suplício. A telinha da TV aberta possui ainda sua força mítica - é nisso que aposta o marketing político.
Psicologicamente falando, o diagnóstico deste paciente (a campanha eleitoral) deve se referir a uma espécie de dissociação anímica, há várias vozes conversando dentro de um só indivíduo, que na verdade nem pode fazer jus ao nome, já que é um corpo dividido. O que se apresenta como "união" entre segmentos diferentes, na verdade, reflete a divisão interna de cada partido, a distância de consenso em torno de um plano programático e a inexistência de fidelidade a ele. A "união" é apenas provisória, estratégica, passageira; o objetivo é vencer as eleições - o poder pelo poder. Não importa como. Os fins justificam os meios, já ouvimos isso abertamente da boca do nazismo.
Ultimamente, no Brasil, com o pouco de tempo que a Copa deixou para as demais notícias, assistimos ao modo como políticos se aliam e promovem suas campanhas numa reta final visando especialmente ao horário eleitoral na televisão. Ainda se acredita que o tempo de exposição nessa mídia decida sobre a captação de votos, mesmo sabendo que grande parte da população hoje pode alternar, se quiser, para a TV por assinatura, ou simplesmente desligar o aparelho, e assim escapar do suplício. A telinha da TV aberta possui ainda sua força mítica - é nisso que aposta o marketing político.
Psicologicamente falando, o diagnóstico deste paciente (a campanha eleitoral) deve se referir a uma espécie de dissociação anímica, há várias vozes conversando dentro de um só indivíduo, que na verdade nem pode fazer jus ao nome, já que é um corpo dividido. O que se apresenta como "união" entre segmentos diferentes, na verdade, reflete a divisão interna de cada partido, a distância de consenso em torno de um plano programático e a inexistência de fidelidade a ele. A "união" é apenas provisória, estratégica, passageira; o objetivo é vencer as eleições - o poder pelo poder. Não importa como. Os fins justificam os meios, já ouvimos isso abertamente da boca do nazismo.
Romário denunciou o abuso econômico nesta Copa, foi além, taxativo, falou de roubo, bateu de frente com o governo federal. Mas, agora, de repente, alia-se a Lindbergh Farias, do PT, pupilo criado por Lula para ser candidato a presidente num futuro não muito distante. Mas, está magoado com Dilma, que não se declarou lindberguista, mas é amante do PMDB e fechou com Pezão. Uma relação em aberto, entendem? O candidato petista ao governo do estado não se importa de ter Romário no mesmo palanque, já que Eduardo Campos é o candidato do PSB e já acenou que num segundo turno entre Dilma e Aécio deverá apoiar a primeira. Romário, jogador de futebol, entrou no PSB adotando o socialismo como quem pega uma bola na banheira, na grande área, para marcar o gol.
Siglas partidárias com "S" de socialismo e "C" de comunismo hoje nada querem dizer, basta uma rápida olhada na lista generosa das doações de campanha (milionária) para encontrar o namoro com o grande capital (e tão logo o candidato vença as eleições, os namorados se casam). Aliás, há uma equivalência entre os partidos e os times de futebol: estes são patrocinados também por grandes empresas, e os jogadores não "vestem a camisa do time", mas migram para onde o contrato for mais sedutor. O dinheiro fala mais alto. Há sempre trinta moedas para financiar uma traição.
O eleitor não cobra coerência ideológica dos políticos - diz o cientista entrevistado - pois deseja simplesmente "resultado". Não importa se Lindbergh surgiu pintado de verde-amarelo com o movimento FORA-COLLOR e depois, com outras tintas na cara, virou amigo do próprio, no Senado. Aliás, como um presidente que levou impeachment, ficou oito anos de castigo, além de sequestrar a economia da população, pôde voltar à casa impoluta dos senadores da República e, de quebra, apoia o PT? Aliás, Maluf e Sarney apoiam também. Há alguma coerência nisso? Ou não passam de engenharias políticas particulares?
Volta
e meia, ouvimos a cantilena da reforma política. Uma reforma que
precisa sair do plano etéreo das ideias e das boas intenções.
Necessita alcançar inclusive a mentalidade do eleitor, retirando-o
do campo da perniciosa filosofia imediatista. A incoerência vai da
indiferença quanto à ideologia até o lamaçal da promessa de
cargos na administração e a venda descarada de votos. Há, contudo,
um preço a se pagar em se vendendo a alma.
É
justamente por desejar sempre o resultado imediato, bairrista, do
próprio bolso, que sua visão política com o tempo se atrofiou, se
deteriorou. De tanto buscarmos o "resultado", não nos
importando com a lógica das coligações e dos interesses
particulares, é que chegamos aonde estamos. Ao fundo.
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