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segunda-feira, 7 de julho de 2014


TERRENO BALDIO



  
Ele tinha um terreno baldio na mente
onde os pássaros pousavam sempre.
Vinham de outras árvores, davam rasantes,
mas gostavam era de pousar em galhos de donos ausentes.
Sabiam do usucapião, da adorável arte
de invadir uma propriedade, de ocupá-la com requinte.

Ele tinha um terreno baldio na mente
onde os pássaros pousavam sempre.
E ficavam ecoando n'alma, insistentes,
numa perdida, honorável orquestra,
uma calma festa de cantos silentes.

E quando ele viajava, para ver como estava,
aos fins de semana, o terreno baldio,
encontrava os pássaros, por sorte, bem comportados
e pousados no poste, no interregno dos fios. 

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