O MELHOR DE IR À PRAIA
O
melhor de ir à praia não é ver o mar, o céu, o horizonte.
O
melhor de ir à praia é pôr os pés na areia.
Sentir
o chão esfarelado, sem solidez,
Ao
mesmo tempo intacto,
Seguro.
Essa
areia maleável, que não é má, um dia foi dura rocha.
Os
pés mal saem do asfalto rascante, quente,
E
já mergulham no úmido da terra, para o lado de fora
Das
meias, do algodão, da fôrma dos sapatos.
Pressentindo
o gelo derretido na água adiante.
Há
quem prefira o bastante de estar ali,
De
pé, apenas curtindo ver o filme do mar e sentir
A
eletricidade, os elétrons circulantes, ondas,
O
quão distante percorrem dois pés que não andam,
O
ato redundante de tantos que buscam o mar.
O
mar, porém, também são essas areias finas.
À
noite, lua cheia, sobe a maré,
E
as águas avançam, cobrem, inundam,
Alcançam
o âmago do chão.
Então,
eu pergunto pra que
O
cristão tem de ir à frente retirar as meias,
E
molhar, no frio, o seu pé.
Quando
o melhor de ir à praia é pisar
Esse
chão que já foi pedra.
E
ver nessas ilhas distantes
Essas
tantas promessas de areia.

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