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quinta-feira, 17 de julho de 2014


O MELHOR DE IR À PRAIA


 
O melhor de ir à praia não é ver o mar, o céu, o horizonte.

O melhor de ir à praia é pôr os pés na areia.

Sentir o chão esfarelado, sem solidez, 
Ao mesmo tempo intacto, 
Seguro.

Essa areia maleável, que não é má, um dia foi dura rocha.
Os pés mal saem do asfalto rascante, quente,
E já mergulham no úmido da terra, para o lado de fora
Das meias, do algodão, da fôrma dos sapatos.

Pressentindo o gelo derretido na água adiante.
Há quem prefira o bastante de estar ali,
De pé, apenas curtindo ver o filme do mar e sentir
A eletricidade, os elétrons circulantes, ondas,
O quão distante percorrem dois pés que não andam,
O ato redundante de tantos que buscam o mar.

O mar, porém, também são essas areias finas.
À noite, lua cheia, sobe a maré,
E as águas avançam, cobrem, inundam,
Alcançam o âmago do chão.

Então, eu pergunto pra que
O cristão tem de ir à frente retirar as meias,
E molhar, no frio, o seu pé.

Quando o melhor de ir à praia é pisar
Esse chão que já foi pedra.

E ver nessas ilhas distantes
Essas tantas promessas de areia.

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