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quinta-feira, 17 de julho de 2014


O FAVOR DO DEVER



Senhor Prefeito
Desta terra do Nunca, 
Que é a terra do Sempre.


Aqui vos escrevo pedindo o contrário de muitos
Que são os pedintes.
Todos pedem a vós favores,
Uma, duas, três mil vezes.

Não me façais o favor de asfaltar a minha rua,
Nem de pôr a faixa de meta-agradecimento,
Nem de montar palanque pra gente importante,
Vereadores que a gente encontra de manhã,
Sorridentes, em busca de voto, na padaria.

Não me façais o favor de pintar o coreto da praça,
Que hoje fica vazia, sem namorados.
Na praça não passam mais,
Eles agora se amam no tablet.
É mais seguro, senhor Prefeito.

Não me façais o favor de trazer artistas
Para chamar a festa, bancada com o erário,
De show gratuito.

Isso aqui é muito antigo,
Mas, não é Roma.

O povo precisa mais de pão do que de pão-e-circo.
O senhor, não pagando aos professores, aos médicos,
Estais na verdade pagando mico.

Portanto, isto é somente o que vos peço, sem temer,
Eu, um somente desta cidade morador:

Que vós satisfaçais o indescritível favor
De tão-somente
Cumprir o vosso dever.

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