Senhor
Prefeito
Desta
terra do Nunca,
Que
é a terra do Sempre.
Aqui
vos escrevo pedindo o contrário de muitos
Que
são os pedintes.
Todos
pedem a vós favores,
Uma,
duas, três mil vezes.
Não
me façais o favor de asfaltar a minha rua,
Nem
de pôr a faixa de meta-agradecimento,
Nem
de montar palanque pra gente importante,
Vereadores
que a gente encontra de manhã,
Sorridentes,
em busca de voto, na padaria.
Não
me façais o favor de pintar o coreto da praça,
Que
hoje fica vazia, sem namorados.
Na
praça não passam mais,
Eles
agora se amam no tablet.
É
mais seguro, senhor Prefeito.
Não
me façais o favor de trazer artistas
Para
chamar a festa, bancada com o erário,
De
show gratuito.
Isso
aqui é muito antigo,
Mas,
não é Roma.
O
povo precisa mais de pão do que de pão-e-circo.
O
senhor, não pagando aos professores, aos médicos,
Estais
na verdade pagando mico.
Portanto,
isto é somente o que vos peço, sem temer,
Eu,
um somente desta cidade morador:
Que
vós satisfaçais o indescritível favor
De
tão-somente
Cumprir
o vosso dever.

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